Seca e calor reduzem estimativa da produção de grãos no Paraná

25/01/2019 - 11:43

O clima seco e altas temperaturas registrados, principalmente, nos meses de novembro e dezembro do ano passado frustraram a expectativa com a safra paranaense de grãos de verão 2018/19. O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, estimava uma produção de 22,5 milhões de toneladas. A projeção foi revista para 20,4 milhões de toneladas de grãos.

A estimativa de produção de grãos de verão 2018 foi apresentada pelo secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, nesta quinta-feira (24), em Apucarana. Ele ressaltou que a queda se dá após sete anos de boas safras. A lavoura mais afetada foi a de soja, seguida do feijão e milho da primeira safra.

A produção de soja deve registrar uma redução de 14%, de acordo com o Deral. A estimativa inicial, de uma safra de 19,5 milhões de toneladas, foi reduzida para 16,8 milhões de toneladas. Se a nova projeção for confirmada, a receita dos produtores cairá R$ 3 bilhões, considerando os preços de mercado.

“Mesmo assim, o Paraná ainda colhe uma grande safra de verão, acima de 20 milhões de toneladas, que não é fácil diante de um clima tão hostil”, afirmou o secretário. “Eventualmente essas perdas poderão ser compensadas pela produção em áreas onde ocorreram plantios tardios de soja e que não foram tão afetadas”, disse o secretário.

OUTROS ESTADOS - A mesma seca atingiu também outros estados produtores de grãos como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. “Com isso, o Brasil deverá retardar em assumir a condição de líder mundial na produção de soja”, disse Ortigara.

SOJA - As regiões mais afetadas com as perdas de soja até agora foram as de Toledo, com redução de 39% em relação à estimativa oficial; seguida de Umuarama (25%), Campo Mourão ( 23%), Francisco Beltrão (22%), Paranavaí (19%) e (14%).

Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, desde a safra 2011/12, o Paraná não registrava grande frustração de safra com a soja. Neste ano, o calor excessivo antecipou a colheita que hoje encontra-se com 15% da área plantada (5,4 milhões de hecatre). “No ano passado nessa mesma época a colheita ainda não tinha iniciado”, comparou.

MILHO – A safra de milho foi menos afetada pelo clima em função da resistência das lavouras com o clima seco. A projeção para esse período do ano apontava para uma colheita de 3,3 milhões de toneladas, contra uma estimativa atual de 3,1 milhões de toneladas.

A situação climática impactou principalmente a região Oeste. Já na região Sul, que tem mais de 67% da área de milho da primeira safra, o impacto foi menor. Porém, o clima continua influenciando negativamente e isso pode refletir em uma produtividade menor que o esperado.

Para o analista de milho do Deral, Edmar Gervásio, o cenário para a produção paranaense do grão não é ruim. As estimativas de produtividade permanecem no intervalo esperado de 8,7 mil e 9,7 mil quilos por hectare, para essa época do ano.” Mesmo com rendimentos elevados, a primeira safra de milho é pouco expressiva no Estado, não tendo a mesma representatividade que tinha antes”, disse o analista.

A colheita já iniciou, com cerca de 3% da área plantada (352.000 hectares) já colhida. Os preços do milho permanecem estáveis, em torno de R$ 29,00 a saca, sem grandes oscilações.

FEIJÃO - As perdas registradas na primeira safra também são expressivas. Segundo o agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, a primeira safra de feijão registra uma perda de 19% na produtividade, o que representa uma redução de 61 mil toneladas de feijão. A perda financeira para os produtores é de R$ 171 milhões. A produção estimada até agora é de 260 mil toneladas.

A região produtora que mais perdeu feijão foi a de Curitiba, com redução de 30%. Em seguida vem Ponta Grossa (14%) e Irati, que deverá produzir 5 mil toneladas a menos em relação à estimativa inicial.

MERCADO - Cerca de 80% da área plantada (162.306 hectares) já foi colhida e as perdas já estão refletindo no mercado. O feijão de cor teve uma alta de 41% de dezembro até está penúltima semana de janeiro.

O feijão de cor que era vendido por R$ 123,52 a saca de feijão em dezembro, está sendo negociado agora em média por R$ 174,76 a saca. O feijão preto que era vendido a R$ 123,84 a saca em dezembro, está sendo vendido em média por R$ 156,6 a saca, em janeiro.

SÃO BOAS AS CONDIÇÕES PARA A SEGUNDA SAFRA DE MILHO E FEIJÃO

Estão sendo plantadas no Paraná a segunda safra de milho e feijão. As condições de plantio estão boas com o retorno das chuvas e a previsão é de aumento na produção.

A expectativa de produção é de 12,7 milhões de toneladas de milho, um aumento de quase 40% em relação a safra em igual período do ano passado, quando o volume colhido atingiu 9,1 milhões de toneladas.

As condições de clima, atualmente estão favoráveis, com o retorno das chuvas alternadas com períodos de calor. Segundo Salvador, ainda pode haver uma recuperação da área plantada com a melhora dos preços do feijão no mercado consumidor. “O impacto dos preços no mercado pode fazer o produtor de feijão mudar de ideia e a área plantada pode aumentar ainda”, disse o técnico.

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