Do populismo risível ao violento

12/03/2018 - 21:00

Por Alceu Sperança

Sempre foi comum na mídia gracejos de desprezo contra os populistas da “esquerda” consentida e legitimadora do neoliberalismo, tipo Evo, Correa, Bachelet, Maduro. O dócil Lula foi apresentado à plateia de uma palestra em Nova York pelo editor-chefe do Wall Street Journal, Robert Thomson, como “um dos mais importantes porta-vozes do livre comércio no mundo”. Um liberal.

Agora que os manipuláveis declinam, já não acham mais tanta graça na onda de populismo puxada pelo incontrolável presidente estadunidense Donald Trump e seu temível botão de bombar: a direita populista vence eleições em penca no vácuo dessa “esquerda” fingida e submissa.

Não é o ato de defender as coisas do povo que faz o populismo: é a demagogia. É usar palavras de ordem populares sem intenção de concretizá-las, como Lula falando em Reforma Agrária. Populismo é a ação explícita de engabelar os ingênuos com intenções maliciosas: saiba o que o povo quer e prometa; saiba o que o povo teme e se apresente como seu xerife.

A organização Human Rights Watch colocou o “desafio populista” como a grande luta dos direitos humanos em 2018. Denuncia que os governos, por incapacidade de fazer frente às consequências da crise mundial, que da economia vazou para crises ambiental, sanitária e humanitária, fortalecem a propaganda e a repressão para impedir o povo de reagir contra a má governança.

Daí a criação do inimigo interno, o nacionalismo contra o inimigo externo, a corrida armamentista, militarismo e pau no lombo do povo descontente. Nas eleições, prometem mel. No poder, cassetete. De Moscou ao Oiapoque, de Nova York ao Chuí. É o populismo de direita, agressivo, autoritário, violento. Contra esse populismo, como gracejar?

Alceu A. Sperança – escritor alceusperanca@ig.com.br

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