OAB “recomenda” afastamento de Moro e Deltan

11/06/2019 - 09:37

Entidade mantém postura a favor da esquerda, mas em todo o Brasil não faltam críticas a essa engajada posição 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou por unanimidade nesta segunda-feira, 10, recomendar o afastamento temporário de suas funções do ministro da Justiça, Sergio Moro, do coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, e dos demais procuradores da República citados em diálogos revelados por uma série de reportagens do site The Intercept Brasil.

O afastamento ocorreria até o encerramento das investigações. Em nota, o conselho federal da entidade defende “investigação plena, imparcial e isenta”, diante da “gravidade dos fatos” e do que chama de “possível relação de promiscuidade” na condução de ações penais no âmbito da operação.

A entidade também afirma ter ficado “perplexa” não só pelo conteúdo das conversas gravadas, “que ameaçam caros alicerces do Estado democrático de Direito”, mas também pelo fato de autoridades públicas supostamente terem sido hackeadas, “com grave risco à segurança institucional”.

Para a OAB, a eventual investigação do caso deve preservar a independência e imparcialidade do Poder Judiciário, a liberdade de imprensa e a prerrogativa Constitucional de sigilo da fonte. “Tudo como forma de garantir a solidez dos pilares democráticos da República.”

Mensagens atribuídas a Moro e Dallagnol, divulgadas pelo site neste domingo, 9, mostram que ambos trocavam colaborações enquanto integravam a força-tarefa da Lava Jato.

AH, A OAB RECOMENDOU, É?

A OAB, que já foi uma instituição séria, nem esperou baixar o poeirão da divulgação, no domingo, dos trechos obtidos criminosamente de diálogos supostamente ocorridos entre o ex-juiz Sergio Moro e integrantes da Lava Jato. Hoje mesmo apressou-se em recomendar, por unanimidade entre seus dirigentes, o afastamento dos cargos públicos de “todos os envolvidos no caso”.

É mesmo? A OAB por acaso recomendou o afastamento do então presidente do STF, Ricardo Lewandowski, quando se descobriu que ele se reuniu clandestinamente, em Portugal, com a então “presidenta” Dilma Rousseff, às vésperas do início do processo de impeachment dela?

A OAB por acaso recomendou o afastamento da mesma “ex-presidenta” quando ela foi flagrada, não em gravação feita criminosamente por hackers, mas sim em escuta autorizada pela Justiça, cometendo o crime de tentativa de obstrução da Justiça? Ou não foi isso o que ela fez ao preparar a nomeação, como ministro chefe da Casa Civil, de um criminoso às vésperas de ser condenado, para que ele passasse a ter foro privilegiado e assim não pudesse ser preso por um juiz de primeira instância?

A OAB por acaso recomendou o afastamento do mesmo Lewandowski, quando ele, numa explícita parceria com seu comparsa Renan Calheiros, ao final do processo de impeachment da mesma então “presidenta”, rasgou a Constituição para permitir que ela fosse expulsa da presidência mas tivesse preservados seus direitos políticos?

A OAB por acaso recomendou ao notório petista ministro Dias Toffoli que, em vista de suas claras e insofismáveis ligações com Lula e José Dirceu, se declarasse impedido de participar das votações em processos nos quais aqueles dois criminosos fossem réus? Ou questionou ao menos a decisão monocrática dele de, “de ofício”, ou seja, por iniciativa própria, sem nem ter sido solicitado pela defesa, mandar soltar o mesmo José Dirceu, seu amigo e ex-chefe na Casa Civil, mesmo já condenado em segunda instância?

A OAB não fez nada disso? E agora quer ser levada a sério? Ora, vão catar coquinhos! De preferência, de cima para baixo numa ladeira bem inclinada...

(Por: Leonardo Henrique dos Santos, jornalista)

imagens