Paraguai autoriza cinco empresas a produzir remédios à base de canabidiol

08/11/2019 - 11:34
Tema avança no Paraguai e pode influenciar o Brasil Tema avança no Paraguai e pode influenciar o Brasil

Enquanto no Brasil ainda não há regulamentação sobre o plantio de maconha medicinal e sua utilização em medicamentos para doenças como epilepsia, depressão e esclerose

múltipla, entre outras, o Paraguai já se prepara para autorizar cinco empresas a produzir e industrializar a cannabis medicinal. As informações são do H2foz.

Para isso, essas empresas terão que se submeter a um plano de cultivo, industrialização, transporte, exportação e disposição final dos produtos, dentro de normas estabelecidas pela Diretoria Nacional de Vigilância Sanitária.

Até o momento, há 18 empresas interessadas em produzir e industrializar maconha medicinal, mas só cinco licenças serão concedidas, para as que cumprirem todos os requisitos. Se houver empate, o critério de escolha será a porcentagem de doação que a empresa fará ao Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social.

O ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, disse que o Paraguai não tem semente de cannabis medicinal. Depois de importar uma quantidade para fazer a primeira experiência, haverá o cultivo em ambiente controlado. Os resultados devem ficar prontos ainda no primeiro semestre de 2020.

No Brasil

O Paraguai, assim, se antecipa ao Brasil, onde a Agência Nacional de Vigilância Sanitária pretendia regular o tema, mas foi desaprovada pelo Planalto.

Calcula-se que haja no Brasil ao menos 3,9 milhões de pacientes que poderiam ser tratados com cannabis.

Há várias indústrias farmacêuticas interessadas em produzir no País, tanto para atender o mercado local como para exportar, mas não encontram apoio governamental.

Enquanto isso, pacientes que precisam deste tipo de remédio precisam de autorização judicial, que demora até três meses. Cada paciente gasta ao menos R$ 1.200 por mês.

Desde 2014, 4 mil doentes foram autorizados pela Anvisa a importar produtos feitos de canabinoides.

Há centenas de pessoas qe adquirem os produtos no mercado clandestino, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, enquanto algumas dezenas e uma associação de pacientes conseguem plantar cannabis medicinal com autorização da Justiça.

Até agora, só um remédio foi registrado para ser vendido no país, o Mevatyl (spray), para alívio de espasmos em pacientes com esclerose múltipla.

Grandes laboratórios estão se antecipando ao que pretende o governo brasileiro e já montaram estruturas no Brasil para produzir medicamentos. Mas ainda há incertezas.

Provavelmente, se o Brasil "pensar" demais, passará a ser importados de maconha medicinal do Paraguai. Assim como já é "importador" da maconha do barato.

https://www.h2foz.com.br/noticia/enquanto-brasil-pensa-paraguai-vai-autorizar-cinco-empresas-a-produzir-maconha-medicinal?fbclid=IwAR1JX3OwEH85JkWd89r3L4TGhL4qMaFbUoMTUo_qnJUhAbH40c-OnRftf0g

Comissão faz primeira audiência interativa sobre uso medicinal da maconha

A comissão que discute os medicamentos à base de cannabis entra agora na fase das audiências interativas. Na terça-feira (5), os psiquiatras Salomão Rodrigues, Eliane Guerra, Ricardo Ferreira e Carolina Nocetti responderam em transmissão ao vivo as perguntas dos interessados no tema.

O deputado Luciano Ducci (PSB-PR), relator da comissão, disse que esta fase é bastante importante, pois recebe a contribuição direta da população. “As audiências interativas são promovidas com a intenção de fomentar a discussão entre as pessoas que têm interesse no assunto. Qualquer cidadão pode se inscrever e fazer a sua pergunta para os especialistas”.

Ministro

A comissão aguarda a confirmação da presença do ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, de um representante da Organização Pan-americana da Saúde (Opas) e de Elisaldo Carlini - professor emérito da Unifesp diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas.

A comissão dos medicamentos à base da Cannabis começou os trabalhos no dia 9 de outubro de 2019. Já foram realizadas quatro reuniões, incluindo a primeira, para instalação e a segunda, que teve a aprovação do plano de trabalho. Estão previstas no máximo 40 sessões em que os deputados vão estabelecer as regras para a comercialização, produção e regulamentação dos medicamentos à base de cannabis.

Ducci disse que o objetivo é também propor regras para o cultivo e para a pesquisa. “Queremos avançar neste assunto e propor uma legislação que seja referência, utilizando como base o conhecimento técnico e as experiências de outros países, completa o relator”.

Especialistas

Os deputados aprovaram requerimento para ouvir especialistas internacionais, médicos e pesquisadores brasileiros, além de autoridades políticas e técnicas do governo federal e de outros países que já regulamentaram os compostos à base de cannabis. Visitas técnicas a países que já utilizam os medicamentos também estão previstas.

O presidente da Anvisa, Willian Dib foi o convidado da primeira audiência pública e criticou a visão de que a regulamentação do tema ocasionaria um aumento no consumo recreativo da droga. Segundo ele, este argumento é “balela” e defendeu que esse tipo de posicionamento fecha os olhos à realidade do país. Dib usou como exemplo o registro de mais de 300 medicamentos à base de ópio, outro composto utilizado como droga recreativa, a exemplo da cannabis.

imagens