Do blog de Caio Gottlieb - Não existe almoço grátis

24/08/2018 - 10:55

Um dos grandes abacaxis que o próximo presidente da República terá que descascar é a situação pré-falimentar de diversas concessionárias de rodovias federais.

Com a receita prejudicada pelo fluxo de veículos abaixo do previsto por causa da crise econômica, as empresas enfrentam restrições bancárias para obter financiamento e não conseguem cumprir os prazos para entregar as obras prometidas nos contratos.

Os casos mais complicados já são objeto de processos em andamento na Agência Nacional de Transportes Terrestres que podem levar ao fim antecipado das concessões.

Alguns deles, aliás, foram iniciados a pedido das próprias empresas em dificuldades.

Se os contratos forem encerrados, as estradas voltarão às mãos do governo e passarão a disputar o escasso orçamento público para obras de manutenção, agravando os gargalos logísticos do país.

As maiores dificuldades estão nas rodovias leiloadas durante a terceira etapa de concessões, entre 2013 e 2015, quando Dilma Roussef estava na presidência.

Pelos contratos, os mais de 5.000 quilômetros licitados deveriam ser totalmente duplicados em cinco anos, mas quase nada foi feito até agora, limitando os ganhos de produtividade e de segurança esperados pelas privatizações.

É bom lembrar que o governo do PT se vangloriava de ter imposto nos termos das concessões a cobrança de tarifas de pedágio bem baratinhas, quase simbólicas, que, afinal, se revelaram insuficientes para garantir a saúde financeira do sistema.

Deu no que deu.

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