Óticas de Cascavel são denunciadas por supostas práticas ilegais

30/10/2019 - 10:57
Encontro de empresários do Núcleo de Óticas e Ajorpa com o coordenador do Procon Otto Reis Encontro de empresários do Núcleo de Óticas e Ajorpa com o coordenador do Procon Otto Reis Foto: Assessoria

Empresários ligados ao Núcleo Setorial de Óticas da Acic e da Ajorpa (Associação dos Joalheiros, Óticas e Relojoarias do Paraná) protocolaram termo de constatação e de tomada de providências no Procon, em Cascavel. O documento foi entregue ao responsável pela Coordenadoria de Defesa do Consumidor, Otto Reis. O documento traz diversas informações de práticas ilegais que algumas empresas do segmento estão, há no mínimo dois anos, praticando em Cascavel, com vários prejuízos.

O coordenador do Núcleo, Evilásio de Carvalho Júnior, cita que as práticas são diversas, mas as principais são publicidade enganosa, venda casada, anúncios de preços e descontos de consultas médicas e concorrência desleal. Na conversa com Otto Reis, os empresários informaram que algumas óticas pagam a consulta médica para os pacientes e, em troca, obrigam que comprem em suas lojas. E, pior, até o próprio valor da consulta, que teria sido oferecida como uma suporta vantagem, acaba cobrada dos consumidores no preço final dos produtos.

“Essa é a lógica da venda casada, na qual o empresário oferece um benefício e obriga o consumidor a comprar o que precisa em sua loja”, diz Evilásio. Caso a pessoa se negue em atender à solicitação, o empresário ou os atendentes chegam a fazer a retenção da consulta médica. Na grande maioria das vezes, as pessoas que acabam atingidas por esse tipo de prática são humildes, que nem percebem que foram enganadas. Há vários crimes nessas práticas ilegais, que ferem o Código de Defesa do Consumidor, leis e até mesmo colocam a saúde das pessoas em risco.

A ação protocolada no Procon é a primeira oficialmente desencadeada pelo Núcleo de Óticas da Acic em parceria com a Ajorpa. “Queremos providências, porque, com exceção de quem pratica esse tipo de irregularidade, todos os demais ficam no prejuízo”, afirma o presidente da Associação dos Joalheiros, Valter Siqueira, o Pardal. A expectativa dos nucleados e dos associados da Ajorpa, a partir de agora, é que o Ministério Público tome providências, notificando as empresas que praticam as ilegalidades mencionadas. Eles pediram também ao Procon o envio de ofício ao Conselho de Medicina alertando para as irregularidades.

O Núcleo e a Ajorpa farão reunião também com a Amop, Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, com a finalidade de alertar prefeitos de outra prática danosa comum. Motoristas de cidades vizinhas, que trazem pacientes a Cascavel, ganhariam comissão de alguns empresários para indicar o seu negócio. Alguns condutores chegariam a estacionar os ônibus na frente de empresas que estão no esquema, induzindo o cliente a fazer as suas compras ali.

 

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