Marcando a data para o fim do mundo

12/04/2018 - 12:22
Chapa Dilma/Temer: estelionato eleitoral Chapa Dilma/Temer: estelionato eleitoral Foto: Google

Por: Alceu A. Sperança

Lulismo e antilulismo são dois tóxicos que contaminam a vida brasileira. Todo debate nacional concentrado ao redor de um único fulano é uma coisa surrealista, o máximo do diversionismo e da falta de debates sérios.

Frente à reforma trabalhista inconstitucional, surpreende que tenha sido a única a ser feita. Atropelou toda essa gente importante que jurou defender a Constituição da boca pra fora, mas não dá a mínima para as atrocidades cometidas contra ela numa enxurrada de pecaminosas PECs, famigeradas MPs e transgressões diárias ao espírito da Carta Magna.

O governo brasileiro é a mais pura expressão do estelionato: a chapa Dilma/Temer foi eleita sob o compromisso de não mudar a legislação trabalhista, mas foi só o que fez. Diziam que as reformas urgentes e imprescindíveis eram a previdenciária e a tributária. Adiaram as urgentes e prescindiram das imprescindíveis.

Não foram feitas porque ameaçariam o reinado de 33 anos do MDB e suas coalizões. Como aposentado e contribuinte votam e influem nos votos da família, deixaram os assuntos espinhosos para depois das eleições. A previdenciária é odiada pelos velhinhos e a tributária não iria reduzir a carga tributária, como supunha um ingênuo patinho, mas aumentar a arrecadação.

Tudo já cortado, a população pobre quer serviços públicos que funcionem e as classes conservadoras querem fortes investimentos em infraestrutura – R$ 250 bilhões anuais. Nada disso se faz sem caixa.

Como a finalidade da reforma tributária é aumentar a arrecadação tungando a classe média e o bolso do contribuinte já furou de tanta taxa, nada de perder votos preciosos em outubro. O fim do mundo não será no Apocalipse, mas no dia seguinte à eleição.

Alceu A. Sperança é escritor - alceusperanca@ig.com.br

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