Paranhos vacila e trapalhada pode render processo de cassação do vice

10/03/2018 - 11:45

POIS BEM - O prefeito Leonaldo Paranhos apostou mal achando que a Justiça resolveria um problema de responsabilidade dele próprio. Duas vezes o judiciário apontou que compete ao alcaide agir e fixou multa de R$ 300,00/dia até R$ 60 mil, caso prosseguisse a inoperância do gestor. Só depois de ver o Ministério Público abrindo investigação no rolo da ainda mal explicada troca de material na ponte do parque linear do Morumbi, ao mesmo tempo em que dois engenheiros da Sesop derrubaram na Câmara a versão oficial do Executivo, é que Paranhos decidiu agir com a sutileza de um elefante entre cristais. A falta de traquejo o levou a exonerar três secretários de ponta do seu governo, todos desligados no mesmo dia, porque vinham brigando entre si há meses, sob a complacência do comandante maior que não abriu a imediata e obrigatória sindicância seguida de inquérito administrativo, o que só fez agora, sob pressão, quase seis meses depois de estourar o problema, preferindo culpar a construtora e evitar desnecessária crise política, que acabou acontecendo e manchando forte a imagem do administrador.

Equipe desarticulada

POIS BEM - Um dos secretários envolvidos, o advogado Juarez Berté, do Meio Ambiente, soube ter sido degolado ao ouvir matéria de Paranhos na rádio CBN. Ele acha que o ex-chefe foi covarde ao preferir mandar recado e não fazer o descarte olhando no olho. "Fiz tudo certo e nao aceito ser tratado como moleque", reagiu o demitido. Berté acredita que foi alvo de acão orquestrada entre Paranhos, Jorge Lange e Fernando Dillenburg. Tudo porque bateu de frente contra Dillenburg ao alegar falta de justificativa legal para a troca, não assinando o aditivo que nem sabia existir e sobre o qual, garante, nunca foi chamado pelos dois ex-colegas para discutir. Paranhos concordou com Berté e também não colocou a assinatura no processo. A falha administrativa no encaminhamento da papelada foi suplantada pelo desentendimento.

Não teve difamação

POIS BEM - Jorge Lange é candidato a deputado estadual e antecipou em um mês a saída do comando da Secretaria de Obras. Milton Podolak, do MDB, é cogitado para assumir o posto. Tem experiência e simpatia entre os servidores da pasta. Lange quer abrir processos cível e criminal contra quem o caluniou na imprensa e fora dela. O ex-Planejamento, Fernando Dillenburg, também pediu a conta pelo mesmo motivo. Ocorre que nenhum deles recebeu acusação direta de cometer crime premeditado e, via corrupção, embolsar vantagem com a substituição do material. A empresa não recebeu nada pelo serviço e está pedindo o pagamento através de ação judicial. Não será fácil Lange e Dillenburg provarem que foram injuriados, difamados ou caluniados.

Lange cassado?

POIS BEM -Um vereador contou ao Blog Pois Bem que, junto com outros 13 colegas, pediu ontem a permanência de Berté e ouviu uma negativa do prefeito. Alguns parlamentares decidiram avaliar possível processo de cassação do vice Jorge Lange que, ao lado de Dillenburg, autorizou de forma verbal a troca feita pela Contersolo. Tal autorização foi confirmada na Comissão de Obras do Legislativo pelos engenheiros Marcos e Ulisses, da Sesop, além do profissional da construtora. Paranhos culpa a empreiteira por tudo, blindando Jorge e Fernando.

Berté atropela

POIS BEM - Juarez Berté, que é presidente municipal do Democratas, esteve na coordenação da campanha de Paranhos, a quem apoiou com trabalho e dinheiro. Ele foi demitido pelo patrão através da imprensa e não perdoou o alcaide. O ex-vereador, que chegou à presidência do Legislativo em duas gestões, se confessa magoado e decepcionado. Nas entrevistas duras que concedeu, alertou a população para ficar de olho no prefeito cascavelense, de quem passou a se considerar adversário daqui em diante, sem chance de reconciliação. Por outro lado, lideranças do Paço ouvidas pelo Blog Pois Bem acham que o vice Jorge Lange não corre risco algum de ser cassado em função da confusão dos tubos.

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