Forças policiais se desdobram para enfrentar crise

04/08/2017 - 14:19
O major Garcez durante encontro com empresários na associação comercial O major Garcez durante encontro com empresários na associação comercial

A crise econômica tem reflexos amplos na vida de uma comunidade. Ela causa impactos no emprego, na atividade econômica e pressiona os índices da criminalidade. Em Cascavel, no entanto, as forças que integram a área da segurança pública se desdobram e se unem para reduzir ao máximo as consequências de um período de dificuldades e os resultados aparecem. Essa é a síntese de apresentação feita por autoridades do setor na noite de quinta-feira durante reunião com empresários na Acic.

O comandante do 6º BPM (Batalhão da Polícia Militar), major Rubens Garcez da Luz, informou que a crise deve instigar interpretações mais amplas, porque ela tem desdobramentos também nas áreas da saúde pública e da educação. “Contar com políticas sérias e eficientes, além dos repasses adequados de recursos a essas áreas, é imprescindível para que uma sociedade tenha pilares estruturais fortes que inibam a prática criminosa”, observou. A área da segurança é formada por diversos órgãos, acentuou Garcez, e a Polícia Militar é apenas um dos seus canais de atenção à comunidade.

Uma pesquisa feita com a corporação mostra um quadro preocupante e que tem reflexos no desempenho de suas tarefas. A metade dos policiais não têm plano de saúde e 16% deles são separados e estão distantes do convívio familiar. “São pessoas que, como as outras, também precisam administrar esse tipo de dificuldade”, comentou o comandante, para citar alguns números acumulados pelo setor no primeiro semestre de 2017 comparativamente a igual período do ano passado. Um dos reflexos da crise se percebe no aumento aos furtos, que cresceram 12% na comparação, e de veículos, com avanço de 0,6%. Entretanto, a recuperação de carros furtados ou roubados cresceu em 8%.

O comandante do 6º Batalhão apresentou dados exclusivos da PM, incluindo a apreensão de drogas. Somente em 2017 foram cinco toneladas de maconha e 18,1 quilos de cocaína retirados de circulação, volume 5,9% maior ante ao primeiro semestre do ano passado. Houve aumento de 7% no número de presos por tráfico de entorpecentes (de 321 para 343) e redução na detenção de usuários em 23,5%. No que se refere a armas apreendidas ocorreu recuou, no período, de 15% (292 de janeiro a junho de 2016 contra 246 dos primeiros seis meses de 2016), mesmo assim o índice é superior ao de cidades de fronteira, como Foz do Iguaçu.

Major Garcez afirmou que a corporação trabalha muito e que, mesmo com dificuldades, há alguns avanços, como o repasse de 21 novas viaturas à área de abrangência do 6º BPM e a modernização da central de comunicações 190. O deputado estadual Adelino Ribeiro, que também participou da reunião, citou os bons resultados das duas UPSs (Unidades Paraná Seguro) em atividade nas regiões Norte e Sul de Cascavel. Ressaltou, porém, que é necessário pensar meios de levar policiamento aos distritos. O delegado Adriano Chohfi, da 15ª Subdivisão Policial, falou sobre o número de homicídios registrados nos seis primeiros meses deste em comparação com o primeiro semestre de 2016.

De acordo com Adriano, o número de assassinatos segue estável e que tem melhorado e muito de alguns anos para cá a soma de elucidações, que é superior aos 80%. Conforme o delegado, percebe-se uma mudança quanto aos motivos que levam aos homicídios. Até recentemente, disputas envolvendo tráfico e consumo de drogas eram maioria. Agora, há índice crescente de fatos considerados banais. Para conter furtos e roubos, Adriano falou também do esforço das corporações, principalmente do trabalho de investigações, de chegar até os receptadores. Ele disse que em breve haverá uma importante novidade no setor que fará com que os dados recuem consideravelmente.

REINCIDÊNCIA

Um dos aspectos que preocupam quem é da área da segurança é o elevado índice de reincidência em Cascavel, reflexo do esgotamento do modelo prisional convencional em todo o País. O retorno de presos às cadeias é superior a 80%. Somente mudanças culturais sérias e em todas as esferas poderá enfrentar essa realidade, considera o presidente do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança de Cascavel), o contabilista Rafael Lorenzo.

A Justiça também precisa agir com mais rigor e as pessoas devem entender que o crime não compensa. O vereador Carlos de Oliveira citou a UPS como um bom exemplo de parceria que dá certo. O presidente da Acic, Edson José de Vasconcelos, afirmou, por sua vez, que segurança pública e busca por soluções é uma das bandeiras permanentes da associação comercial. “Precisamos estar juntos, unidos e serenos, para que as pessoas possam trabalhar e seguir suas vidas com segurança e tranquilidade”.

 

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