Café da manhã nas águas do Paraná e imersão ao legado de Bertoni

26/02/2019 - 16:46

Os moradores de Foz do Iguaçu ganharam um incentivo especial para conhecer um pouco sobre a vida e a obra do cientista suíço Moisés Santiago Bertoni (1857 a 929), que viveu na região de Presidente Franco, no Paraguai. O Kattamaram II promoveu, no final de semana, um passeio cultural ao Porto Bertoni, com custo inferior a 50% para quem reside na cidade. Empresa projeta agregar e ampliar passeios unindo cultura e belezas naturais.

O passeio ao Porto Bertoni, pela manhã manhã, começa com um café colonial servido instantes após a partida do antigo Porto Meira, onde eram realizadas as travessias de balsa entre Brasil e Argentina. Em poucos minutos a embarcação chega a foz do rio Iguaçu, no rio Paraná, de onde pode-se observar o encontro entre os três países de um ângulo diferenciado. As informações são do Gazeta Diário.

Aproximadamente 40 minutos após subir a bordo, os participantes do passeio descem na margem paraguaia da fronteira para contato direto com a natureza e o legado de Moisés Bertoni. “O lugar é sensacional e de uma beleza incrível”, disse a contadora Lohaine Batista, que fez acompanhada pela primeira vez. Ela estava em companhia do marido, o empresário Carlos Batista.

“A trilha é puxada, mas compensa muito quando chega aqui”, ressaltaram os dois, após o percurso de aproximadamente 800 metros da margem do rio até o alto da barranca, onde estão o Museu Bertoni e o e o auditório Winkelfried Bertoni, em homenagem ao também cientista filho de Moisés de Bertoni. “Já fizemos outros passeios pelo rio Paraná. A promoção para quem é de Foz do Iguaçu vale a pena”, concluíram.

“Nossa, o passeio é bem diferente do que a gente imagina”, contaram as recepcionistas e hotelaria Taiana Morales e Bruna Padilha. “Uma ótima atividade. Tudo bem explicativo. Aprendemos muito. Estamos fazendo para conhecer e saber recomendar o passeio aos hóspedes”, completaram.

LEGADO

O trabalho e os estudos de Moisés Bertoni, deixou um grande legado para o povo paraguaio, para a região e a humanidade, disse a guia Bianca Suares, que há quatro anos recebe visitantes na área do museu. “Só nesta área onde habitou Moisés Bertoni, tem mais de 600 plantas exóticas trazidas por ele”, explicou.

Um dos destaques das pesquisas de Bertoni, segundo ela, foi com relação a stevia, planta que acabou recebendo o sobrenome bertoni, que constatou o alto índice de doce em sua composição. “A stevia bertoni é 200 vezes mais doce que o açúcar”, ressaltou.

O cientista teve uma contribuição fundamental para a criação da Escola Agrícola, mais tarde transformado em curso superior. Um dos filhos de Bertoni, Winkelfried Bertoni, se especializou em pássaros e catalogou, no museu, mais de 120 espécies de aves. “Algumas endêmicas, que só tem nesta região”, afirmou Bianca.

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O passeio ao Porto Bertoni existe há aproximadamente 15 anos, segundo informou Cleverson Teixeira, gerente comercial da Echaporã. De acordo com ele, a empresa estuda alternativas para agregar novas opções de atividades ao atrativo, como a inclusão da cultura e artesanato produzidos pelos indígenas que residem na aldeia próxima ao local.

“Também queremos fazer a trilha de arvorismo, já que a que tem aqui está desativada há muito tempo. O projeto da empresa é fazer mais melhorias com o tempo”, frisou. Os passeios do Kattamaram II ao local são feitos de terça-feira a domingo pela manhã e a tarde. Também é possível fazer com barcos rápidos com saídas de hora em hora.

Não estão descartados novos finais de semana com preços especiais para moradores de Foz do Iguaçu.

SOBRE BERTONI

Moisés Santiago Bertoni nasceu na Suíã em 1857 e, decepcionado com as condições políticas e sociais da Europa no final do século XIX, decidiu se mudar para a Argentina com a família. Pouco tempo depois o botânico decidiu morar no Paraguai, onde viveu a maior parte de sua vida.

No local, onde está construído o museu em sua memória, ele desenvolveu grandes projetos de investigação e publicação de obras que foram imortalizadas. Bertoni se destacou em botânica, etnografia e estudo da língua Guarani. Além disso, conseguiu avanços significativos nas áreas de zoologia, etmologia, meteorologia, agricultura e biologia.

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